Entender para Intervir e Intervir para Entender

O EXERCÍCIO DO CONSUMO RESPONSÁVEL

O convite à prática do Consumo Responsável tem como base uma metodologia educativa que permita que as pessoas possam Entender para Intervir. Neste processo, inicia-se por identificar a questão, para então refletir e, posteriormente, intervir, o que gerará novos elementos para se enxergar e refletir. É uma relação dialética em que o entender e o intervir se complementam e se retro-alimentam. A postura ativa no consumo responsável é fundamental, de forma que os próprios consumidores sejam os atores neste processo e não só aguardem, passivamente, no futuro, que práticas, produtos e serviços com este conceito de sustentabilidade socioambiental possam estar disponíveis.

PARA ENTENDER: você pode fazer uma reflexão crítica buscando os melhores caminhos da prática e da mudança na forma de consumir, questionando:

– O que estamos consumindo causa dano à saúde e ao meio ambiente?
– De onde vem e para onde vai o produto?
Como diminuir a geração de lixo e como consumir sem desperdiçar?

– O que comprar?

– É um produto necessário ou supérfluo? Posso eu mesmo fazer?

– Como é produzido?

– Como são as relações de trabalho na produção do produto ou serviço?

– A produção causa algum impacto social e ambiental? Valoriza a cultura local?

– Onde e como comprar?

– Quanto vale o produto, o preço é justo?

– A quem favorece e para onde vai a maior parte do dinheiro?

– O que a lei dispõe sobre isso e como protege o Consumidor?

– Quem domina o conhecimento da forma de produção e como o usa?

– Como divulga seu produto e ações?

PARA INTERVIR: e você pode se perguntar como intervir e multiplicar a prática de consumo responsável:

– Adotar práticas mais conscientes/sustentáveis de consumo. A opção pelo consumo de produtos e serviços alinhados aos princípios de sustentabilidade socioambiental.

Exercer o controle social (direitos com responsabilidades). Denúncias, reclamações, sugestões e participação em Conselhos como, por exemplo: Consea (Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional) de sua cidade e estado, CAE (Conselho de Alimentação Escolar) de sua cidade e estado, Associação de Pais e Mestres(APM) da escola pública, etc.

– Praticar o não consumo (boicote) quando considerar que determinado produto é produzido ou comercializado de forma insustentável e divulgado de forma a ludibriar o consumidor.

Realizar uma ação planejada, sempre que possível coletiva, de forma participativa e democrática e com a intenção de promover a transformação das formas de uso dos espaços e de produção e consumo:

  • Adotar as práticas agroecológicas no seu dia a dia (hortas caseiras, hortas comunitárias, práticas colaborativas diversas, preparo de alimentação saudável e segurança alimentar e nutricional, bioconstrução, tecnologias para uso racional e sustentável de água e energia, produtos com madeira reaproveitada ou certificada, ecovilas, arte e cultura, práticas de promoção da saúde, etc)

  • Apoiar o encurtamento das cadeias produtivas visando o preço mais justo e a co-produção através das prática de relações comerciais alinhadas aos princípios do Comércio Justo e Solidário, economia solidária, agroecologia da agricultura camponesa/familiar (Alimentação escolar com alimentos agroecológicos direto da agricultura familiar, Feiras de comercialização e/ou de trocas, grupos de consumo responsável, lojas solidárias, comércio local,…).

  • Minimização de resíduos: Repensar o consumo, recusar o supérfluo, reduzir o consumo de embalagens e produtos desnecessários, reutilizar produtos e embalagens sempre que possível e por ultimo realizar a coleta seletiva e encaminhar para a reciclagem (exemplos: compostagem, coleta seletiva, brechós, sebos, feira de trocas…)

  • Mobilidade mais sustentável: dar carona, praticar caminhada, ciclismo e transporte público.

  • Utilizar tecnologias sociais sustentáveis disponíveis (na informática, construção, educação, moradia, produção, agricultura, comercialização, serviços, turismo e lazer, etc.)