Agricultor da capital é cada vez mais ecológico

Confira matéria que saiu no Estadão…

Cidade de São Paulo tem 435 trabalhadores agropecuaristas e pelo menos 35 já eliminaram agrotóxicos de suas lavouras 21 de abril de 2013 | 2h 02

EDISON VEIGA, RODRIGO BURGARELLI – O Estado de S.Paulo

Profissão: agropecuarista. Cidade de domicílio: São Paulo. Sim, na maior cidade do Hemisfério Sul, densamente urbanizada, há 435 agropecuaristas. Entre eles, 35 se livraram de agrotóxicos e fertilizantes químicos e aderiram a uma produção orgânica, de acordo com dados da Prefeitura – no ano passado, oito conquistaram uma certificação especial do Ministério da Agricultura que garante que sua produção é totalmente orgânica.

“Somos os pioneiros, mas esperamos que outros também consigam. É bom para o meio ambiente e é bom para a saúde das pessoas”, comenta Zundi Murakami, de 73 anos. Desde 2008 ele cultiva bananas no Sítio Pinhal, de propriedade da sua família, na região de Parelheiros, extremo sul do município – a região sul concentra 72% dos produtores rurais da capital paulista. Ali, bem longe das paineiras, tipuanas e ipês dos canteiros centrais das movimentadas avenidas do centro expandido, a paisagem é rural.

Atualmente, Murakami produz 1,5 mil quilos por mês – tudo vendido em feiras. “Pena que é preço de banana, senão estaria rico”, brinca. Com a certificação, ele pode explorar o fato de ter uma produção orgânica – qualidade que virou praticamente um fetiche entre paulistanos, dos naturebas aos descolados. Aí, consegue vender a banana por um preço até 30% maior do que a convencional. “Mas a produção é mais complicada. Quase artesanal”, explica Murakami, dizendo que a adubação é toda orgânica (esterco animal, palha e cinzas) e o controle de pragas feito com armadilhas simples e produtos naturais.

Também na zona sul, a Ilha do Bororé, na Represa Billings, concentra grande quantidade de sítios. No Paiquerê, a administradora hospitalar Maria José Kunikawa, de 57 anos, transformou o hobby em negócio. Ela planta itens variados como mandioca, milho, feijão e batata, tudo orgânico – também é uma das certificadas pelo Ministério.

“O segredo é cuidar pé a pé, acompanhar de perto. Agricultura orgânica é isso: demanda cuidado.” Por enquanto, a produção ocupa 2 mil metros quadrados de suas terras. “Mas, se der certo, quero aumentar”, diz. “Já está dando certo”, completa Murakami – que em vez de concorrente, é visto como parceiro, já que os produtores orgânicos paulistanos se conhecem e trocam experiências.

Na hora de divulgar a produção, mais do que apelar para a velha argumentação de que é bom para a natureza ou não faz mal a saúde. “Na verdade, o produto orgânico é mais saboroso”, propagandeia Maria José. “Garanto que a batata produzida aqui tem um gosto diferente, uma textura diferente. Quem experimenta não quer mais comer a convencional.”

Caqui. O agricultor Osvaldo Iwao Ochi, de 66 anos, planta caqui na borda do Parque Estadual da Serra do Mar. Sua plantação foi iniciada por seu pai há mais de meio século, quando a família de origem japonesa chegou a São Paulo vindo de Bastos, no interior do Estado. Foram décadas plantando com agrotóxicos e fertilizantes químicos, até que, por decisão própria, seus 15 hectares de caquizeiros deixaram de receber qualquer produto químico artificial.

“Aqui é área ambiental. A nascente do Rio Embu-Guaçu é aqui do lado do meu sítio. Ele deságua na Represa do Guarapiranga, que é de onde eles tiram água para abastecer quem mora na cidade. Quando isso tudo ficou claro, decidi parar e produzir o orgânico.” A decisão, tomada oito anos atrás, deu certo até financeiramente. “Hoje o orgânico tem uma saída melhor.”

Osvaldo diz que nunca foi intimado por nenhum órgão para adotar esse tipo de produção, mas que a orientação dada pela Prefeitura e pelo Ministério da Agricultura ajudaram na adoção das práticas que hoje ele adota. E ele não troca o estilo de vida atual por nada. “Moro em São Paulo, mas em um lugar que quase nenhum paulistano sabe que existe”, brinca, com satisfação.

Trâmites. Para conseguir a certificação, os produtores rurais orgânicos receberam orientação da Associação Biodinâmica, que é cadastrada no Ministério da Agricultura. Sua forma de produção não pode usar adubos químicos, venenos, sementes transgênicas, hormônios nem antibióticos. Para a manutenção do selo, eles precisam desembolsar uma taxa de cerca de R$ 300 anuais – o valor varia conforme o tamanho e o tipo de produção.

Até as relações trabalhistas são observadas. “Se eu tenho um ajudante aqui na minha plantação, preciso registrar direitinho. Senão perco o selo”, comenta Murakami.

Mas não são só os orgânicos que enfrentam burocracias. Conhecido por fornecer lenha para lareira e cultivar pinheirinhos de Natal em sua fazenda Castanheiras, Edwin William Hering, de 78 anos, desde 2005 vem cultivando palmito. “Há dois anos entramos com um pedido de licenciamento para o manejo”, explica ele, que pretende vender o produto, fresco, diretamente da Ilha do Bororé a restaurantes badalados de São Paulo.

“Meu objetivo é explorar 100 palmiteiros por mês, mas com uma preocupação sustentável. E não vamos vender nada em conserva, porque o produto fresco é o que tem o melhor sabor”, diz Hering.

Para ler a matéria no site do Estadão e assistir ao vídeo com o agricultor Zundi, basta acessar o link a seguir:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,agricultor-da-capital-e-cada-vez-mais-ecologico-,1023527,0.htm

Feira Agroecológica do Parque Burle Marx

NOVA OPÇÃO DE CONSUMO RESPONSÁVEL EM SÃO PAULO A partir do último sábado, dia 15/10, São Paulo passou a contar com uma nova e inusitada opção de feira livre, a ser realizada todos os sábados no parque Burle Marx, das 8h00 às 13h00. Essa feira oferece produtos agrícolas produzidos exclusivamente dentro da capital paulistana, tais como alface, rúcula, ervilha, morango, broto de bambu, inhame, ervas aromáticas, caldo de cana, plantas ornamentais e muitos outros. Tudo produzido sem o uso de agrotóxicos e ofertados pelos próprios agricultores, que residem e trabalham no extremo sul da cidade, nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Capivari-Monos e Bororé-Colônia. Nessa região, situada nos distritos de Parelheiros e Capela do Socorro, ainda é possível encontrar uma São Paulo predominantemente rural, com Mata Atlântica preservada, rios limpos e muitas áreas agrícolas, que são de fundamental importância para o abastecimento dos mananciais das represas Billings e Guarapiranga. Vista geral da feira na entrada do parque Burle Marx. Prefeito prestigia a feira em dia de muita chuva! Para a realização da feira, foi fundamental uma grande articulação de organizações da sociedade civil e governamentais, a fim de possibilitar a superação dos diversos desafios para o estreitamento da relação entre produtores e consumidores. O primeiro desafio foi e ainda é a mudança na forma de cultivo, passando da agricultura convencional – com o uso de agrotóxicos e adubos químicos – para a agricultura de base agroecológica que adota práticas sustentaveis de manejo. Esta vem sendo impulsionada, nos últimos anos, pelo Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (FEMA) da Prefeitura de São Paulo em parceria com os Conselhos Gestores das APAs Capivari-Monos e Bororé-Colônia e diversas ONGs responsáveis por oferecer assistência técnica, fazer sensibilização e apoiar a organização dos agricultores. A Casa da Agricultura Ecológica, gerida pela Supervisão Geral de Abastecimento (ABAST), por meio do Programa Agricultura Limpa, também realiza Extensão Rural, dando apoio e assistência para a conversão à agricultura orgânica. O grupo de agricultores que participa da feira no Burle Marx está em processo de certificação participativa por um projeto desenvolvido pela Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica (ABD), também com financiamento do FEMA. Outro grande desafio é a comercialização, por canais que valorizem a produção agroecológica e compreendam o processo de transição até a certificação. Nesse sentido, a elaboração do Protocolo de Boas Práticas Agroambientais – que permite a utilização do “Selo de Indicação de Procedência Guarapiranga” – criado pela parceria formada entre as Secretarias Estaduais do Meio Ambiente, de Agricultura e de Abastecimento e a Prefeitura de São Paulo, levou à edição da Portaria que possibilita a emissão de matrícula de feirantes para quem aderir ao protocolo. Esse acontecimento abriu precedentes para a criação de novas feiras na capital, com agricultores paulistanos comprometidos com a produção agroecológica. Com o empenho da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras (SMSP) através de ABAST, foi possível conseguir o apoio da ONG Aron Birmann, que faz a gestão do Parque Burle Marx e cedeu o espaço para a realização da feira para os agricultores que aderiram ao protocolo de Boas Práticas e que fazem parte da recem fundada cooperativa dos agricultores das APAs (COOPERAPAS). O Instituto Kairós – Ética e Atuação Responsável, que também tem projeto junto ao FEMA, conseguiu viabilizar as cinco barracas desta feira e apoia a organização dos agricultores para o planejamento da logística e da produção. O secretário Eduardo Jorge (SVMA) faz compras com sua ecobag. Moradores enfrentam chuva para sair com a sacola cheia! O primeiro dia de feira contou com uma chuva torrencial, que não desanimou os agricultores-feirantes nem os participantes. Contou com a presença de figuras ilustres, como o Prefeito, Gilberto Kassab, o Secretário do Verde Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, o Supervisor de Abastecimento Jóse Roberto Graziano, entre outros. Além da presença de pessoas ligadas à criação da feira, também compareceram moradores e frequentadores do parque que, mesmo embaixo de muita chuva, levaram suas sacolas ecológicas e fizeram compras. A avaliação dos agricultores é que a feira foi um sucesso, tanto pelas presenças ilustres como pelas vendas. Eles acreditam que nos próximos sábados o público e São Pedro não irão decepcionar e a feira só tende a crescer, tanto como espaço de comercialização, quanto como espaço de troca de informações e de conscientização de que é possível ter agricultura ecológica em São Paulo. A alegria molhada dos agricultores após a desmontagem das barracas! Josualdo, Zé Mineiro, Lia, Valeria, (Arpad-kairós), Mauri, Zundi e Ernesto Local: Parque Burle Marx– Av. Dona Helena Pereira de Moraes, 200, Panamby. Horário: 08h00 às 13h00 Quando: Sábados Estacionamento: R$ 8,00 ________________________________________ ______________________________ Realização

Fortalecimento de canais de comercialização de produtos agroecológicos e de economia solidária do município de São Paulo

Entendendo que a comercialização de produtos ecológicos e solidários é um dos grandes desafios para a expansão da produção agrícola de base ecológica no município de São Paulo e que esta comercialização ocorre principalmente através de um nicho bastante específico e que, portanto, necessita de uma ação direcionada para ele, este projeto se propõe a atuar de modo a fortalecer os canais de comercialização solidária já existentes na cidade, bem como criar novos. A atuação nesse mercado deve estar pautada por valores, conceitos e práticas que agreguem sentido a esse consumo, permitindo aos consumidores distinguir os produtos ecológicos e solidários, fazer a opção por eles e saber onde encontrá-los. Desse modo, toda a ação estará fundamentada em uma campanha para o Consumo Responsável, envolvendo a educação para essa prática e a compreensão sobre a realidade na qual se insere. O projeto atuará articulado pela Rede Semeando Comercialização Justa e Solidária, através do Espaço da Cultura de Consumo Responsável, já existente, que por sua vez articula outras redes de produtores e consumidores de produtos agroecológicos e da Economia Solidária, que desenvolvem uma atuação no âmbito da comercialização justa e solidária, ampliando, através destas redes, o alcance de suas ações. Serão focos da atuação do projeto em espaços ou formas de comercialização distintas: 1) Acompanhamento e fortalecimento de um espaço de formação para o Consumo Responsável através da comercialização justa e solidária no Espaço da Cultura de Consumo Responsável Itinerante, disponibilizando alimentos e/ou produtos agroecológicos e da Economia Solidária com foco na sustentabilidade 2) Comercialização da produção realizada pelos produtores agroecológicos envolvidos na Cooperapas e outros produtores da economia solidária no município de São Paulo pela Loja Sabor Natural, situada na Zona Norte, que disponibilizará seus espaços e clientela, assim como participará da realização da campanha para o Consumo Responsável. O projeto atuará ainda, como parte da proposta de Educação para o Consumo Responsável, através da realização de oficinas para o público em geral, possibilitando reflexão sobre os temas e apontando possibilidades concretas de participação. Blog do projeto